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Crianças aprendendo

O que é ataxia-telangiectasia

A Ataxia Telangiectasia (A-T) é um distúrbio neurodegenerativo genético raro, que acomete ambos os sexos, todas as etnias e cujos sintomas aparecem na primeira infância embora existam formas de início tardio ou na vida adulta.  A A-T afeta em particular o sistema nervoso e o sistema imunológico.

 

GENE ASSOCIADO À A-T

​A A-T é uma doença multissistêmica, hereditária de herança autossômica recessiva e causada por um defeito genético no gene ATM, localizado no cromossomo 11.

Uma doença é considerada AUTOSSÔMICA RECESSIVA quando, na concepção, o bebê recebe as 2 copias do gene mutado, o do pai e o da mãe. 

ESPECTRO DA DOENÇA

A A-T é uma doença neurológica progressiva.

A maioria dos pacientes tem dificuldade para andar no final do primeiro ano de vida e necessitam de cadeira de rodas por volta dos 10 anos. Devido à degeneração do cerebelo ocorre a perda progressiva da coordenação dos movimentos voluntários. Por este motivo, a marcha é cambaleante, instável e piora com o tempo até por volta dos 12 / 15 anos de idade, na A-T em sua forma clássica, quando então se estabiliza.  

Telangiectasias oculares ou faciais podem ser notadas entre 4 e 8 anos de idade.

Podem também apresentar dificuldade para engolir e se alimentar assim como se cansam com mais facilidade nas diversas atividades.

Podem desenvolver diabetes do tipo resistente à insulina e apresentar esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), especialmente em idades mais avançadas.

Muitos pacientes têm infecções respiratórias de repetição causadas pelos baixos níveis de IgG.

Pacientes com A-T são mais sensíveis à radiação e cerca de 10 a 20% desenvolvem alguns tipos de câncer, especialmente os que afetam as células do sangue como a Leucemia ou Linfoma.

 Alguns pacientes não são diagnosticados até a segunda década de vida.

Para acessar o material completo:

ATAXIA TELANGIECTASIA

LIVRO PARA FAMÍLIAS E PORTADORES

O QUE CAUSA A A-T

O corpo de todas as pessoas é feito de milhões de minúsculas estruturas chamadas células. Cada célula vem com um conjunto completo de instruções, que diz à célula o que fazer e como fazer nosso corpo funcionar. Essas instruções são chamadas de genes e eles são formados por uma substância química chamada DNA. Os genes geralmente vêm aos pares e eles determinam tudo sobre nossos corpos. Por exemplo, certos genes determinam a cor de nossos olhos, enquanto outros genes determinam nosso tipo sanguíneo.


Frequentemente, os genes são chamados de unidades da hereditariedade, porque a informação que eles contêm é passada de uma geração para a próxima. Todos nós obtemos, para cada par, um gene de nossa mãe e o outro gene de nosso pai. Dessa forma, nosso corpo funciona com uma combinação de instruções herdadas de cada um de nossos pais. Os pais não têm controle sobre quais genes eles transmitem para seus filhos.


Ataxia-Telangiectasia (A-T) é chamada de doença genética “recessiva”. Tanto o pai como a mãe não apresentam sintomas porque são portadores de apenas 1 gene recessivo que se unidos causam a A-T nos seus filhos. O gene recessivo pode permanecer inativo por muitas gerações, até que, de repente, duas pessoas com o gene danificado tenham filhos.

Cada vez que dois “portadores da A-T” tenham filhos juntos, há uma probabilidade de 1 em cada 4 (25% de risco) de ter uma criança afetada com A-T. E cada irmão saudável de um paciente com A-T tem uma probabilidade de 2 em cada 3 (66% de risco) de ser um portador, como seus pais.

COMO O GENE DA A-T É TRANSMITIDO

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Para acessar o  material completo sobre Hereditariedade. 

SINAIS E SINTOMAS

  • Alteração de marcha e postura;

  • Fala de difícil entendimento e baba;

  • Movimentação anormal dos olhos;

  • Dificuldade para engolir;

  • Telangiectasia

  • Deficiência imunológica;

  • Predisposição a desenvolver câncer;

  • Crescimento lento;

  • Necessitam de mais tempo para as atividades diárias.

DIAGNÓSTICO

DEFINITIVO

Pacientes de ambos os sexos que apresentem uma ou mais das seguintes características:

  • Sintomas clínicos sugestivos de ataxia cerebelar progressiva;

  • Aumento das quebras cromossômicas induzidas por radiação em uma cultura de células;

  • Translocação cromossômica 7; 14;

  • Diminuição do TRECS na triagem neonatal;

  • Alfafetoproteína (AFP) pelo menos 2 desvios-padrão acima do normal para a idade;

  • Ressonância Magnética cranioencefálica compatível com atrofia cerebelar;

  • ​Estudo genético que apresente mutação em ambos os alelos da proteína ATM;

PROVÁVEL

Pacientes de ambos os sexos com ataxia cerebelar progressiva e que apresentem 3 dos 4 principais sintomas abaixo:

  • Telangiectasia facial ou ocular, mais evidentes a partir dos 4 a 6 anos de idade);

  • IgA pelo menos 2 desvios-padrão (DP) abaixo do normal para a idade;

  • Alfafetoproteína pelo menos 2 DP acima do normal para a idade;

  • Aumento de quebra cromossômica após exposição à radiação em cultura de células

POSSÍVEL

Pacientes de ambos os sexos com ataxia cerebelar progressiva que apresentem pelo menos 1 dos 4 sintomas abaixo:

  • Telangiectasia facial ou ocular, mais evidentes a partir dos 4 a 5 anos de idade);

  • IgA pelo menos 2 desvios-padrão (DP) abaixo do normal para a idade;

  • Alfafetoproteína acima do normal para a idade;

  • Aumento da frequência de quebras cromossômicas após exposição à radiação em cultura de células

DIAGNOSTICO DIFERENCIAL Síndrome de Nijmegen BreakageSíndrome de BloomFonte: ESID, Sociedade Europeia de Imunodeficiências, estabeleceu Critérios diagnósticos para o registro de pacientes que são seguidos em diferentes protocolos hospitalares. www.esid.org

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tratamento

Até o momento não há cura para a A-T. O tratamento deve ser preventivo no que diz respeito às infecções e outras doenças. As crianças devem frequentar a escola e manter a vida o mais normal possível.

Pessoas com A-T com certeza irão se beneficiar de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, as quais irão ajudá-las nas atividades diárias.

Embora nenhum tipo de terapia, mesmo que intensamente praticada, demonstrou alterar o curso da doença, melhora muito a qualidade de vida do paciente.

O melhor tratamento é através de uma abordagem multidisciplinar com a participação de imunologistas, pneumologistas, neurologistas, oncologistas, nutricionistas, endocrinologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais e psicólogas.

pesquisa e cura

Em junho de 1995, a equipe do “The Shiloh Laboratory” do Dr. Yosef Shiloh, em Israel, trabalhando com muitas outras pesquisas laboratoriais, isolou o gene que causa a A-T. Desde então, cientistas do mundo inteiro se interessaram por este gene e estão realizando muitos novos estudos para ajudar a entender essa doença.

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Em junho de 1995, a equipe do “The Shiloh Laboratory” do Dr. Yosef Shiloh, em Israel, trabalhando com muitas outras pesquisas laboratoriais, isolou o gene que causa a A-T. Desde então, cientistas do mundo inteiro se interessaram por este gene e estão realizando muitos novos estudos para ajudar a entender essa doença.

​Desde então sabe-se que a proteína da A-T (ATM) manda um sinal importante para os vários sistemas que trabalham em nossas células, modificando outras proteínas e, consequentemente, ativando-as ou inativando-as. Em outras palavras, a proteína da A-T informa às outras proteínas da célula se elas devem trabalhar mais, ou talvez parar de trabalhar por um tempo e assim, ela modula o ciclo de vida da célula. Os pesquisadores também descobriram que o “gatilho” que dá início ao trabalho da proteína da A-T é quando o DNA é danificado em certa maneira por radiação, por substância química ou por metabólitos celulares. Portanto, o gene da A-T é parte de um sistema de sinalização que avisa os sistemas que controlam o ciclo vital da célula dizendo, “Atenção! Ocorreu uma lesão, reduza a velocidade de seu crescimento e espere até sua reparação”.

​ Desde que foi compreendido como a proteína ATM é acionada ou ativada após a lesão no DNA de uma célula, novas interações entre ela e outras proteínas continuam a ser identificadas. Os pesquisadores estão usando diversas técnicas, para encontrar as outras proteínas que interagem com a ATM. A identificação destas proteínas pode ter algumas grandes consequências; por exemplo, se os genes que produzem as outras proteínas forem danificados eles podem causar doenças que se parecem muito com a A-T. E, igualmente importante, uma pesquisa como essa também pode determinar metas terapêuticas para a A-T.

Para conhecer todos os protocolos de pesquisa em andamento, acesse: www.pubmed.ncbi.nlm.nih.gov

rede global de at

Alguns grupos de pacientes do mundo, entre eles o Projeto A-T Brasil, foram convidados a participar da Plataforma Global de Dados sobre Ataxia Telangiectasia. Este cadastro de grande importância está sendo organizado pelo ATCP Project, principal grupo fomentador de pesquisa para Ataxia Telangiectasia. ​A finalidade desta plataforma é coletar dados a respeito da saúde, genoma e outros tipos de informações relevantes que possam ser acessadas por médicos e pesquisadores de todo o mundo. Através destes dados espera-se obter informações de forma rápida e dinâmica, facilitando o entendimento, diagnóstico e tratamento para esta doença rara e fatal.

O Brasil tem um número tão significativo de pacientes que um dos idiomas disponíveis para o cadastro é o Português (Brasil). Não podemos perder esta oportunidade!

​As famílias que se inscreverem compartilharão as informações médicas de seus filhos através do cadastro na Global A-T Family Data Platform os quais serão utilizados nas pesquisas em andamento. Você pode acessar os dados a qualquer momento para atualização.  

​Colabore com a busca pela cura. Para mais informações e inscrições acesse:

https://atfamilies.org/

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Ataxia Telangiectasia 

Livro para Famílias  e Portadores - 2ª Edição - Revisada e Ampliada. 

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