• A-T Brasil

BIOMARCADOR PARA DETECTAR A MORTE DAS CÉLULAS DO CÉREBRO EM PACIENTES PORTADORES DE A-T

Atualizado: 14 de dez. de 2021


Olá a todos,

Espero que você e sua família continuem bem durante a pandemia.

Durante o ano passado, você me ouviu falar muito sobre o teste de uma abordagem chamada terapia gênica ASO-Gene Therapy em uma garotinha com A-T. Ela continuou a receber as injeções regularmente e estamos gratos por não termos verificado nenhum efeito colateral. No entanto, o que é extremamente necessário, como em qualquer tratamento em potencial para uma doença na qual um efeito clínico pode levar anos para ser confirmado, é um "biomarcador" que nos diria mais rapidamente se a terapia está fornecendo algum benefício.


Para que os ensaios clínicos sejam mais eficientes, estamos ansiosos para identificar um biomarcador que se correlacione com a morte das células cerebrais que ocorrem nas crianças com A-T. Talvez alguma proteína que seja aumentada ou reduzida em crianças com A-T se comparadas com crianças saudáveis. Se pudéssemos acompanhar o nível desse biomarcador em crianças com A-T enquanto testamos as potenciais terapias, seria possível verificarmos os seus efeitos positivos muito antes e sem as complicações dos efeitos do placebo. Também poderíamos reduzir a duração e o custo dos ensaios clínicos.


Recentemente, aprendemos sobre uma proteína chamada "cadeia leve de neurofilamentos" (NfL-neurofilament light chain) que é produzida em altos níveis nos axônios - parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos que partem do corpo celular, até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurônio. A proteína resultante da morte e destruição das células cerebrais vai para o fluido espinal e sangue. Pesquisadores que trabalham em uma variedade de outros distúrbios neurológicos, incluindo doenças inflamatórias, neurodegenerativas, traumáticas e cerebrovasculares, descobriram que o nível de NfL aumenta no líquido espinhal e no sangue proporcionalmente ao grau do dano ocorrido no axônio.


Sendo assim, para sabermos se a proteína NfL está aumentada na A-T, coletamos amostras de sangue de 17 crianças com A-T, com idades entre seis e doze anos, bem como de 17 crianças saudáveis, na mesma faixa etária, e analisamos seus níveis de NfL. Somos muito gratos às famílias que atenderam rapidamente aos nossos pedidos de ajuda neste projeto.


Essa descoberta pode ser um grande avanço para nós. Isso pode significar que, à medida que testamos possíveis tratamentos em crianças com A-T, seremos capazes de verificar rapidamente se a morte de células cerebrais está diminuindo, muito antes de vermos se a perda de equilíbrio ou controle muscular diminuiu ou parou.


Com esses dados promissores em mãos, estamos planejando coletar novas amostras e repetir os experimentos nas mesmas 17 crianças portadoras de A-T para verificarmos o quão variáveis ou consistentes são os resultados deste teste. Também estamos planejando medir os níveis de NfL em portadores de A-T ainda mais jovens assim como em alguns pacientes mais velhos, para vermos o que acontece em uma faixa etária mais ampla.


E agora, com base nessa descoberta inicial, vamos monitorar regularmente os níveis de NfL de nossa primeira paciente que está atualmente participando do ensaio clínico ASO-Gene Therapy. Porém, além deste ensaio clínico, ter esse marcador pode nos permitir conduzir com mais rapidez e eficiência muitos outros ensaios clínicos em um futuro próximo.

Se este exame de sangue para os níveis de NfL provar correlacionar-se bem com a neuro degeneração enfrentada pelos pacientes portadores de A-T, poderia, possivelmente, ser a maior descoberta feita sobre o A-T desde que o gene causador da doença foi identificado.


Com todos os desafios que 2020 nos trouxe, eu queria compartilhar o que acho realmente uma notícia esperançosa.

Tudo de bom para todos!

Brad Margus


Fonte: Carta enviada pelo Presidente do ATCP Project – Junho 2020

O Original pode ser consultado em;

https://www.atcp.org/


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